Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Só se os portugueses quiserem...

TEMOS DE PERDER A INDEPENDÊNCIA? 
 

 José António Saraiva

Semanário "SOL", 28 de Julho de 2007

José Saramago disse uma coisa que muita gente tem dito mas à qual a sua condição de Nobel deu uma outra amplitude: Portugal, mais cedo ou mais tarde, integrar-se-á na Espanha.
Do ponto de vista económico, isto já é uma evidência: a Península Ibérica tende a ser um espaço único, com as empresas espanholas a operarem em Portugal com o mesmo à-vontade com que operam em Espanha, e com o seu centro em Madrid.
Resta saber se a esta integração económica corresponderá necessariamente uma integração política.
Os marxistas, como Saramago, acham que sim.
Eu tenho algumas dúvidas.

A propósito, pense-se na seguinte questão: como explicar que a esquerda portuguesa, que no passado se bateu com tanta convicção pela independências das nossas colónias de África, seja hoje tão indiferente em relação à independência do seu próprio país?
Como explicar que a esquerda, que defendeu que Angola, Moçambique, a Guiné, Cabo Verde, deveriam ser nações independentes, aceita hoje com indiferença a ideia de Portugal deixar de ser um país independente?
Como explicar que Saramago, que foi um anticolonialiata militante, possa hoje dizer que o destino de Portugal é integrar-se na Espanha?
A independência era importante para as ex-colónias mas para nós não é?

Julgo que há uma explicação para isto: a esquerda que existe formou-se no Estado Novo e tem como traço fundamental o anti-salazarismo.
Como Salazar era liminarmente contra a independência das colónias, a esquerda era a favor.
E como Salazar era activamente nacionalista, a esquerda é anti-nacionalista.
Ontem combatia o colonialismo português em Àfrica e advogava as independências africanas; hoje aceita pacificamente a anexação de Portugal por Espanha e o seu fim como nação independente.

Verdade se diga que o iberismo está de certa forma na moda não apenas entre a esquerda (nem apenas na boca de Saramago), mas entre a classe média.
A classe média portuguesa olha para o enorme desenvolvimento que a Espanha registou nas últimas décadas, compara-o com o marasmo português e conclui: integrados na Espanha seríamos mais prósperos, mais ricos e mais felizes.
Ora, é uma ilusão pensar assim.
Basta olhar para o que aconteceu em muitas empresas portuguesas que foram compradas por espanhóis: a investigação deixou de ser feita em Portugal e passou a ser feita em Espanha, os quadros superiores portugueses foram substituídos por espanhóis nos lugares-chave, os portugueses ficaram em posição subalterna e acabaram por se sentir estranhos no seu próprio país.

É exactamente para evitar isto que a independência serve: para os naturais de um país não se sentirem estranhos na sua própria terra.
E não deixa de ser insólito que, num mundo em que por toda a parte se vêem povos a bater-se pela independência ou por uma maior autonomia, os portugueses dêem a independência de barato e aceitem abdicar dela.
Provavelmente, o nosso problema é sermos há tanto tempo independentes que já não reconhecemos as vantagens que isso traz (ou as humilhações que evita).
E - há que dizê-lo - a independência é sobretudo uma questão de vontade.
Quando Saramago disse que a integração na Espanha é inevitável, estava implicitamente a dizer que os portugueses não têm vontade de continuar a ser independentes (ao contrário dos bascos ou dos catalães, que no próprio dia em que o franquismo caiu ressuscitaram os seus valores).

Portugal poderá perder a independência.
Mas só se os portugueses quiserem.
Daí que a posição mole, distraída, desinteressada, capitulacionista ou abertamente anti-nacionalista da esquerda portuguesa seja um mau sinal.
Há povos que lutaram pela independência e a conquistaram.
Inversamente, se um povo se desinteressar de ser independente acabará inevitavelmente colonizado.


José António Saraiva

 

Independência em perigo editou às 18:15
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