Quarta-feira, 24 de Maio de 2006

900 anos de história

"PORTUGAL"



 


Um caso único no mundo.
Portugal é um dos estados mais antigos da Europa, cujas fronteiras se mantém inalteráveis desde o século XIII.

 



Ibérista e negreiros

A verdade é que contando com cerca de nove séculos de independência, conheceu sempre um punhado indivíduos que, aproveitando-se das situações de crise do país, se manifestam logo dispostos a venderem os seus concidadãos ou a proporem o fim de Portugal.

Estamos perante um fenómeno que não sendo exclusivo de Portugal, pela repercussão que aqui sempre encontrou não possui paralelo em mais nenhum outra parte do mundo. O seu aspecto mais curioso está todavia na singular complacência com que os portugueses, encaram os discursos daqueles que os transformam em meras mercadorias para venda a outros países, negando-lhes desta forma a sua própria dignidade como seres humanos, destituindo-os de qualquer identidade cultural. Atendendo ao facto de Portugal confinar por um lado com o mar e por outro com a Espanha, este país é apresentado como o potencial interessado no negócio tanto pelos iberistas, como pelos negreiros portugueses.

A transacção com a França, Inglaterra ou Itália é desde logo descartada devido à sua distância, embora as afinidades culturais com estes países seja tanto ou mais significativa. A razão para a emergência destes grupos de iberistas e negreiros, encontra-se na própria História de Portugal.

Negreiros

Portugal foi entre os século XV e XIX um dos principais Estados negreiros da Europa. Esta prática como é sabido deixou profundas marcas na cultura do próprio país. A escravatura corrompeu o escravo, mas também o senhor, embora tenha sido este o principal beneficiário do comércio. É nesta tradição que se inspiram os negreiros portugueses dos nossos dias. Á semelhança dos negreiros que entre os séculos XVI e XIX vendiam aos espanhóis os escravos que estes careciam para as suas colónias, estes novos negreiros sob diversas formas tem proposto aos seus concidadãos vendê-los, começando por vender o país onde nasceram.

A sua argumentação é quase sempre a mesma: Portugal não tem futuro, os portugueses também não. A salvação está na sua venda. Eles assumem a missão de os "resgatar" de um futuro que se apresenta como trágico. Não raro alguns destes negreiros recorrem à argumentação desenvolvida pelos iberistas, para logo de seguida se oferecerem para negociarem a venda do país nas melhores condições. O seu preço é proporcional à imagem de decadência, miséria ou podridão que conseguirem veicular na opinião pública. Quanto pior for, maior credibilidade possuem as suas propostas. É no enfase desta dimensão estritamente mercantil que os negreiros se distinguem dos iberistas.

Iberistas

O iberismo é para muito autores um fenómeno típico do século XIX, que emergiu em Portugal e em Espanha, como resposta à teoria das grandes nações então em voga na Europa. Segundo o seus defensores as pequenas estariam condenadas a serem absorvidas pelas grandes, tal como teria acontecido entre os animais onde os mais fortes extinguiram os mais fracos (teoria darwinista). A unificação da Itália (anos 50) e depois da Alemanha (1871) reforçavam esta concepção política de matriz racista e totalitária. Na década de 50 e sobretudo entre 1868 e 1871, pulularam em Portugal e Espanha iberista para todos os gostos. Os que propunha uma união ibérica sob um mesmo regime monárquico (D.Pedro V, Seribaldo de Mas, Latino Coelho), os que defendiam uma federação de Estados (Xisto Camara, Henriques Nogueira, etc) os que preconizavam a simples fusão (Ruan Valera, Oliveira Martins) ou aqueles que se contentavam com uma mera integração económica (Barbosa Leão).

Analisando contudo o carácter psico-social dos iberistas constata-se todavia que estamos perante indivíduos com um profundo problema de identidade pessoal, que frequentemente se exterioriza na questão da sua identidade nacional que a todo o custo pretendem anular. A diversidade de culturas é para o iberista algo insuportável. A individuação um mal que urge corrigir na cultura e na sociedade. A sua estratégia auto-aniquilação começa quase sempre pela negação da diversidade das culturas. É por isso que o iberista prefere enaltecer a supremacia de certas culturas e recusar o diálogo entre os povos. É por esta razão também que a maioria dos iberistas acabaram a defender posições racistas e totalitárias, contando-se entre os primeiros proto-fascistas europeus, como foi o caso de Oliveira Martins ou António Sardinha. Em Portugal, os iberistas em geral manifestam-se quase sempre incomodados quando são identificados como portugueses, não apenas porque se sentem diminuídos por pertencerem a um pequeno país, no extremo da Europa e virado para o imenso Atlântico, mas sobretudo por deplorarem serem confundidos com um povo de ignorantes e miseráveis. A única forma para evitarem esta situação, não é contribuírem para a alterar as condições de vida da população, participarem activamente no seu desenvolvimento sócio-cultural, mas defenderem o fim do próprio país.

O iberista não advoga a extinção do país através de um qualquer processo de universalização da sua identidade cultural, afirmando, por exemplo, a universalidade da condição de ser dos portugueses. O iberista não tem forças para tal. O que ele pretende é mesmo a sua auto-aniquilação, propondo aos seus concidadãos um suicídio colectivo - a integração de Portugal, por exemplo, em Espanha. Trata-se de um expediente pouco cansativo. Desta forma procura realizar aquilo que ele próprio não tem forças para o fazer: - livrar-se do fardo da sua própria existência.

Expiação do Passado

A forma como os portugueses têm ao longo dos séculos reagido aos negreiros e aos iberistas têm variado bastante. No passado, mais concretamente até ao século XIX, quando terminou a escravatura, os negreiros e os iberistas eram atirados de janelas ou de varandas para a rua. Alguns destes casos ficaram célebres na História de Portugal. Esta cruéis reacções da população portuguesa têm uma explicação humanista. O povo português manifestava desta forma violenta, aquilo que qualquer ser humano intuitivamente sente perante alguém que o trata como uma "mercadoria" ou uma "coisa": repulsa ! Na verdade, quer o negreiro, quer o iberista, não consegue ver no outro uma pessoa. O Outro é, por eles, destituído de vontade e identidade pessoal. É por isso que o iberista, nem sequer equaciona outras vontades que não a sua quando concebe a ideia de extinção de um país.

Dificilmente os portugueses podiam tolerar que outros "portugueses" os tratassem dessa forma. Após o fim da escravatura, os portugueses tornaram-se mais complacentes com os iberistas e os seus próprios negreiros. Com o fim do regime colonialismo, em 1975, criaram-se condições psicológicas propícias para a difusão dos discursos dos iberistas e dos negreiros, como nunca antes haviam possuído. Há quem veja na actual complacência dos portugueses face à ignomínia de que são alvo, por parte dos iberistas e negreiros, a manifestação de um profundo sentimento de culpa colectiva, através da qual estão a expiar e a se libertarem através de uma catarse do seu próprio passado de negreiros. E neste sentido, aceitam ser tratados como coisas, porque também eles no passado trataram outros seres como tais.

Carlos Fontes

Independência em perigo editou às 18:07
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